PT

Publicação impressa A5
Tiragem por demanda
2012

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construindo um final

‘cinco meses’ é uma zona plana que abriga e arranja diferentes momentos do meu processo de trabalho. um espaço cuja única determinação é o seu tempo de existência e execução. perpassa trabalhos antigos, idéias prontas, idéias entendidas, idéias abortadas, dias bons, dias ruins e quase todo o resto. não pode se dizer que esse trabalho não tem um tema, pelo contrario, quase todo dia vivo um tema diferente, o grande cerne dissolveu. um pouco de todos e nenhum.

é um trabalho mais vivido do que feito, num intervalo de tempo em que muita coisa se misturou. o trabalho se construiu com folhas soltas, viagens, milhares de correção em busca das melhores palavras, mais pelo não do que pelo sim. viver o trabalho e falar sobre ele como um exercício de compilação quando ainda está num lugar sem nome. como uma construção de tijolos invisíveis, e um tem que ficar encima do outro.
a conclusão parece querer falar sobre um ‘acordo final’, diferente do fim, que é o fim e ponto. explicações sobre as escolhas dos trabalhos, os nomes dos capítulos e o por que de tudo isso podem ser encontradas em todos ou outros lugares menos nesse impresso. o trabalho buscou justapor procedimentos inversos que se aniquilam, seja pela subtração de camadas de matéria, quanto pelo acontecimento de uma nova camada autoritária. pretensiosamente buscou uma raspagem de todas as camadas de significação que não interessavam, na obsessão de que zerar o terreno seria a única possibilidade de criar algo novo. acabei raspando camadas demais, o que sobrou foi muito pouco.
o trabalho não sou só eu, e nem é só um outro, somos dois ventríloquos, nem totalmente eu, nem totalmente outro. a gente conversa e também se desentende. ficamos os dois tentando um corpo-base, criar frases com o trabalho.

EN

A5 printed publication
2012

constructing an ending

five months is a flat zone that shelters and arranges different moments of my work process. a space whose single will is its own time of existence and execution. permeating earlier works, preconceived concepts, understood concepts, aborted concepts, good days, bad days and almost all the rest. it can’t be perceived as a themeless work, on the contrary, i live, nearly everyday, a different theme, the core has dissolved. a bit of all and none.
it’s a more of a lived than rendered work, made in an interval where many things mingled. the work was built with loose sheets, journeys, thousands of corrections in search of better words, mostly through negation rather than approval. to live the work and talk about it as an exercise of compilation when it still resides in an unnamable place. in like manner,
an invisible brick building, where each brick must sit on top of each other.
the conclusion seems to want to utter about a ‘closing agreement’, distinct from an ending which is the end, period. explanations about the choices of the pieces, the chapter titles and the reason for all of this may be found in every, or other places, except this print. the work sought to juxtapose inverse procedures that come to naught, either by subtracting layers of matter, or by the appearance of a new authoritarian layer. pretentiously pursued a scraping of all the uninteresting layers of signification, through the obsession that ground zero would be the only possibility to create something new.
i ended up scraping to many layers, what was left was too little. the work is not just myself, nor only the other; we are both ventriloquists, neither completely myself.

(extract)